O céu em perspectiva (1Pe 1)
- Israel Filipe
- 13 de jun. de 2024
- 3 min de leitura
São muitos os temas que podem ser abordados tomando-se por base a primeira epístola de Pedro. Um dos temas, porém, que parecem melhor refletir a essência do texto é o motivo que deve levar o cristão a enfrentar o sofrimento sem que seja abalado. O cristão tem a esperança da eternidade com Cristo.
No início da epístola, Pedro deixa claro que seus destinatários são estrangeiros dispersos (1Pe 1:1). De fato, todo cristão é peregrino na terra, pois não pertence a este mundo, Quem está em Cristo pertence à cidade que está nos céus. Em Filipenses 3:20, o apóstolo Paulo diz que dos céus “esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo”. O cristão deve viver na terra com o céu em perspectiva, Independente do que se passe nesta vida, sejam bons ou maus ocorridos, o que deve guiar o crente em Jesus é o que o espera na eternidade.
Pedro escreveu para cristãos que estavam dispersos e sofrendo perseguição devido à sua fé, crentes que começavam sua caminhada cristã em meio a intensas provações. Eles eram pressionados até à morte para que negassem a Cristo, mas dessa realidade surgiram testemunhos de verdadeiros servos do Senhor, que perseveraram até o fim, não fazendo caso da própria vida na terra, e foram fiéis a Deus. A razão disso é que eles sabiam que sua presença no mundo era passageira, pois sua pátria está no céu. Disso devem se lembrar os crentes em todos os tempos.
O Senhor adquiriu para si um povo para que anuncie as suas virtudes (1Pe 2:9-10). Ao adquirir para si a igreja, Ele fez com que todos os que recebem a Cristo sejam filhos de Deus (Jo 1:12). Sendo pertencentes a Deus, os crentes já não são do mundo (Jo 17:16), por isso o mundo não os compreende, e os despreza. Mas isso não é motivo de tristeza para os servos de Cristo, e sim de grande alegria, pois para isso é que são chamados. Cristo padeceu pelos homens, e assim deve a igreja padecer no mundo, e, como Cristo reagia às injúrias entregando-se a Deus, que julga justamente, assim deve fazer cada cristão (1Pe 2:19-23).
Apesar das maravilhosas promessas de Deus e até da certeza que se possa ter da salvação, o cristão ainda está no corpo, com sua natureza pecaminosa. Isso limita a capacidade de compreensão do sofrimento que enfrenta na terra. Muitos chegam a tropeçar na fé por não entenderem que a dor resultante do testemunho da fé em Cristo é um privilégio (Fp 1:29). Seevir a Cristo é um privilégio. Pedro diz que as tentações que contristam o crente são momentâneas (1Pe 1:6), pois, em breve, todo o sofrimento terreno cessará. A alegria aparente de quem não serve a Cristo é passageira, mas as promessas são para a eternidade (1Pe 1:24-25).
Se as palavras de Deus, por meio de Pedro, não levarem o cristão a se alegrar com a esperança da eternidade no céu com Cristo, vale lembrar que o sofrimento que acontece na vida do crente é muito menor do que o merecido. “O salário do pecado é a morte” (Rm 6:23). O que todo homem merece é a condenação no lago de fogo. É preciso ser grato pela graça e misericórdia de Deus.
O reconhecimento da condição do crente como forasteiro no mundo e filho de Deus deve animá-lo a prosseguir firme diante das perseguições e aflições do presente século. Embora extremamente difícil, dada a condição limitada da natureza humana decaída, o crente precisa ter por privilegiada a sua condição de desprezo diante do mundo, pois assim pode glorificar a Deus, e pela sua consciência para com o Pai pode levar outras pessoas a Cristo.
É verdade que a vida o cristão é uma vida de muito sofrimento no mundo. O mundo odeia tudo o que é de Deus. Porém, é preciso ter em mente que, quando a vida na terra chegar ao fim, o que espera o cristão é a eternidade na presença de Cristo, no céu, onde não há pecado e não há tentações, mas há paz.
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