Por que se submeter a um mau governante? (1Pe 2)
- Israel Filipe
- 13 de jun. de 2024
- 3 min de leitura
Atualizado: 7 de jul. de 2025
Uma ordem bíblica que causa muita controvérsia é a da submissão às autoridades. Até que ponto o crente deve submeter-se a um mau governante? O segundo capítulo de 1Pedro pode ser tomado como base para a compreensão de como Deus, Pai, é glorificado quando o crente se sujeita a toda ordenação humana.
Quando a primeira epístola de Pedro foi escrita, os cristãos que a receberam eram extremamente perseguidos, sob o governo do imperador Nero. Para se ter uma noção da crueldade desse governante, ele atribuiu aos cristãos a responsabilidade por um grande incêndio ocorrido em Roma, o que agravou a perseguição aos seguidores de Cristo. É nesse contexto que, de maneira oposta ao que seria humanamente natural, Pedro apela para que se submetam a toda ordenação humana (1Pe 2:13).
Considerando realidades como a dos destinatários de 1Pedro, parece contraditório pedir que haja submissão às autoridades humanas. No entanto, o próprio Jesus, quando lhe perguntaram se seria lícito pagar tributo a César, indicou que o correto seria cumprir as leis humanas, mas sem deixar de servir a Deus: “dai, pois, a César o que é de César e a Deus, o que é de Deus” (Mt 22:21b). Entende-se, portanto, que o crente deve submeter-se ao bom e ao mau governante, desde que não fira o que se deve a Deus.
Por mais que se compreenda que a Bíblia ordena a sujeição às autoridades, algo de difícil entendimento é o motivo dessa ordenança. Na vida do cristão, tudo deve ter a glória de Deus por finalidade e não é diferente no caso em questão. A passagem de 1Pedro 2:15 deixa claro que a sujeição a toda ordenação humana deve ser vista, no crente, porque essa é a vontade de Deus, pois é a boa conduta que pode levar aqueles que a veem a glorificar ao Pai (Mt 5:16).
O primeiro pecado, que foi cometido por Satanás, ainda como anjo de luz, parece ter muita relação com a insubmissão. O querer ser igual a Deus revela o desprezo para com a soberania e a supremacia de Deus, que é exaltado sobre tudo e sobre todos. O texto de 2Pedro 2:10-11, no contexto em que Pedro alerta quanto a falsos mestres que surgiriam, diz que esses enganadores desprezam as dominações e não receiam blasfemar das autoridades. Em contraste, lembra que até mesmo os anjos, maiores em força e poder, não injuriam ao enfrentar o mal.
A submissão ao governo é um ato de amor a Deus. Assim como no caso da incompreensão e desprezo diante do mundo (1Pe 1), a sujeição às autoridades glorifica a Deus e pode levar pessoas a Cristo, pois, agindo dessa forma, o crente demonstra não apenas submissão a autoridades humanas, mas, acima de tudo, ao Pai. Isso não é um ato de passividade, mas um reconhecimento do cristão de que ele vive para o que é eterno. Em relação às injustiças que venham a ser praticadas pelos governantes, o crente deve lembrar-se de que o Senhor não os deixará impunes. É Ele que sabe a justa medida das consequências de cada ato, e a Ele pertence a vingança, não ao homem (Sl 94:1).
Há verdades bíblicas que não se entendem com facilidade, como ordenanças que parecem questionáveis aos olhos humanos. É importante, porém, entender que a vontade de Deus é boa, perfeita e agradável (Rm 12:2). A submissão às autoridades, boas ou más, é submissão a Deus, pois elas são enviadas pelo Senhor (Rm 13:1;1Pe 2:14). É inegociável a obediência ao Pai, tendo por certo que Ele não apenas deseja o melhor para seus filhos, como sabe exatamente o que é o melhor e que os seus pensamentos são muito mais elevados do que os pensamentos do homem (Is 55:8-9).
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