Para que outros não sofram (1Pe 4)
- Israel Filipe
- 13 de jun. de 2024
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O quarto capítulo de 1Pedro revela a amplidão da distância entre o modo de viver do justo e o do ímpio. Nesse texto, o crente é ensinado quanto ao seu dever diante das adversidades e da vitória aparente dos que não servem a Deus.
A primeira epístola de Pedro toca constantemente no tema do sofrimento do cristão. A perseguição era parte da vida daqueles para quem ele escreveu, mas o padecer pela fé não foi uma exclusividade dos cristãos do primeiro século. É muito recorrente na Palavra de Deus a menção ao sofrimento do justo e até mesmo a comparação entre o sucesso terreno dos ímpios e dos que seguem ao Senhor. Existe um conflito permanente entre os santos e os aprisionados pelo pecado, e a razão é dita por Jesus em sua intercessão. O mundo odeia os que são de Cristo porque não são do mundo, assim como Cristo não é do mundo (Jo 17:14). Porém, em cada passagem que envolve as aflições do crente, há uma mensagem de esperança.
Se o cristão ensina o amor ao próximo e prega a humildade a ponto de considerar os outros como superiores a si mesmo (Fp 2:3), por que tantos o perseguem? Se os destinatários de Pedro eram pacíficos e respeitavam as autoridades de Roma, por que chegavam a ser mortos? Para o crente pode soar contraditório, mas não para os do mundo. Paulo diz que Satanás cegou o entendimento dos incrédulos, para que não lhes resplandeça a luz do Evangelho da glória de Cristo (2Co 4:3-4), e é exatamente o Espírito da glória de Deus que repousa sobre o cristão (1Pe 4:14). O que parece claro para uns, é obscuro para outros, pois as coisas do Espírito de Deus se discernem espiritualmente (1Co 2:14).
O crente não está no mundo por acaso; ele não vive apenas para si. Se assim fosse, seria levado ao céu no momento de sua conversão. Estando no mundo, precisa viver para quem o transportou das trevas para a maravilhosa luz, anunciando Cristo aos perdidos (1Pe 2:9). A vida cristã se manifesta na oração e no amor. A Bíblia diz que Deus concedeu dons aos santos. É dever de cada crente administrar seus dons, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus (1Pe 4:10).
Em Mateus 18:23-35, Jesus conta uma parábola que exemplifica como deve ser a conduta do cristão para com as outras pessoas em relação ao perdão recebido de Deus. Na parábola, um servo devia muito dinheiro ao rei, de modo que não teria como pagá-lo. O rei, então, decidiu vender o servo e sua família para que a dívida fosse paga. Diante das súplicas, o rei compadeceu-se dele e lhe perdoou o que devia, mas o servo, saindo da presença do rei, encontrou um conservo que lhe devia um valor em dinheiro. Sufocando o conservo e não dando ouvidos às súplicas, foi encerrá-lo na prisão. Essa parábola mostra como não deve portar o crente. O fato de ter recebido o perdão de Deus deve movê-lo a levar o Evangelho aos que ainda se encontram na escuridão do pecado, para que também se arrependam e sejam perdoados.
É certo que o cristão padecerá na terra até o último dia em que viver longe da sua pátria celeste, mas isso não deve desanimá-lo. Com a consciência de que em breve o sofrimento momentâneo será substituído por júbilo eterno, Pedro deixa uma ordem aos crentes: "sede sóbrios e vigiai em oração" (1Pe 4:7b). Asafe, em um dos salmos, expõe sua angústia ao notar o sucesso aparente dos ímpios, mas lembra que todos darão conta de seus atos a Deus, e que precisa anunciar as obras do Senhor (Sl 73:28).
Que se anunciem as obras do Senhor! Almas estão perecendo longe de Deus, e precisam de compaixão dos que conhecem o Salvador. O crente sofre na terra, mas precisa ser sóbrio e vigiar em oração, lembrando-se de que isso é passageiro, e anunciar a mensagem de salvação, para que outros não passem pelo sofrimento eterno.
Uma vida cristã verdadeira leva à compaixão e à misericórdia. O cristão que tem consciência do perdão que recebeu se preocupa em comunicar a salvação àqueles que estão na mesma condição em que ele próprio se encontrava quando foi resgatado. É como diz o rei na parábola: “Não devias tu, igualmente, ter compaixão do teu companheiro, como eu também tive misericórdia de ti?” (Mt 18:33).
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