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Por que os justos sofrem?

Se Deus é tão bom, por que permite que os justos sofram e que perversos prosperem? Como confiar em Deus se a fé traz consigo tanta perseguição? O sofrimento do justo é intrigante, mas não contradiz a graça e misericórdia do Pai. Na verdade, o livro de Jó, assim como outros textos bíblicos, auxilia o crente no entendimento das suas dificuldades. O sofrimento revela o amor de Deus.

A história de Jó retrata com clareza a realidade do sofrimento na vida do crente e como é prudente apegar-se a Deus para lidar com as adversidades. Jó era um homem muito temente ao Senhor, e grande em riquezas, com muito gado, muitas pessoas que trabalhavam para ele e dez filhos. Um dia, porém, com a permissão de Deus, foi atacado por Satanás, perdendo praticamente tudo o que possuía, inclusive os filhos. Em um segundo ataque, Satanás feriu-o com tumores malignos, de modo que chegou à beira da morte. Quase todo o livro relata o diálogo de Jó com alguns amigos que o acusavam de estar em pecado, como se esse fosse o motivo do mal que lhe sobreviera. Jó, no entanto, persevera na fé, e por fim é curado por Deus, que lhe restitui em dobro tudo quanto tinha inicialmente, e mais dez filhos.

Um dos amigos de Jó, chamado Elifaz, deixa uma indagação sobre o sofrimento dos justos. Ele questiona: “já pereceu algum inocente? E onde foram os retos destruídos?” (Jó 4:7b). Isso é quase inconcebível à compreensão humana. Elifaz argumenta que o inocente não perece, que o sincero não é destruído. Em outras palavras, diz que o justo não enfrenta tão grandes dificuldades como as que Jó estava a enfrentar. A realidade, contudo, não é dessa forma. Jesus Cristo é o principal exemplo de como o justo passa por adversidades. Ele foi o único, entre os homens, que viveu sem pecado, mas foi perseguido, humilhado e crucificado.

Os amigos de Jó o atormentaram com suas falas de acusação carregadas de palavras desvirtuadas e precipitadas, mas, dentro dessas falas, estavam algumas verdades; eram como o joio e o trigo. Elifaz, o mesmo autor do questionamento visto anteriormente, diz que Deus “apanha os sábios na sua própria astúcia” (Jó 5:13a). Isso é tão verdadeiro, que foi parafraseado por Paulo em 1Coríntios 3:19. No contexto em que Paulo escreveu, o apóstolo falava sobre as diferenças entre a sabedoria de Deus e a dos homens. Nisto está um ponto relevante para se assimilar o sofrimento do justo. Muito do que parece sábio aos olhos humanos é astúcia aos olhos de Deus, assim como o homem tem por louco muito do que é sábio segundo o Senhor (Jó 5:13; 1Co 3:19). Talvez se possa dizer que Elifaz foi apanhado em sua astúcia ao condenar Jó pelo sofrimento.

Embora a realidade do sofrimento dos justos se enquadre naquilo que é louco para os homens, mas sábio para Deus (Jó 12:13,16), a primeira epístola de Pedro dá uma luz para ajudar a entender o seu motivo. Pedro escreveu para cristãos que eram perseguidos sob domínio de Nero, e os fortalece ao lembrá-los das promessas de Deus, como a herança nos céus, e ao explicar-lhes o porquê das provações. Ele diz que isso lhes advém para que a prova de sua fé se ache em louvor, honra e glória na revelação de Jesus Cristo (1Pe 1:7). A provação indica o estado da fé, e por meio dela o crente honra ao Pai. Sem fé é impossível agradar a Deus (Hb 11:6). Pedro diz que a fé é mais preciosa do que o ouro, que perece e é provado pelo fogo (1Pe 1:7). Como o fogo combate as impurezas do ouro, assim as provações são importantes para que sejam tiradas as impurezas da fé.

Jó, no capítulo 14 do livro, diante de tanto sofrimento, se defende de seus amigos e, em dado momento, recorda que a vida é muito breve. Ele chega a comparar o homem, de maneira oposta, com a árvore. A árvore, ao ser cortada, pode se renovar, enquanto o homem, quando morto, não torna à vida (Jó 14:7-12). Todavia os justos, os que temem ao Senhor, retornam, sim, à vida (Rm 6:8). Jesus promete a vida eterna a todo o que nEle crê (Jo 3:16). Os que temem ao Senhor e guardam a Sua Palavra são como a árvore plantada junto às águas, que dão os frutos no devido tempo e cujas folhas não caem (Sl 1:1-3).

A vida dos justos pode ser permeada de sofrimento até o último dia em que esteja na terra. Apesar de não compreender por completo, o crente precisa crer no Senhor e saber que tudo em sua vida é para a glória de Deus. Jó era um homem justo e temente ao Senhor, mas, depois de tanto sofrimento, cresceu ainda mais no conhecimento do Pai, a ponto de dizer a Deus: “com o ouvir dos meus ouvidos ouvi, mas agora te veem os meus olhos” (Jó 42:5). Que, em meio ao sofrimento, cada crente almeje ter a prova da sua fé achada em louvor, honra e glória na revelação de Jesus Cristo e dizer como Jó: “agora te veem os meus olhos”.

 
 
 

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